quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O Dia Seguinte.

Olhei os cinzeiros espalhados pela casa naquela tarde sem nome, sem nome pois não era distinguivel o que aquele dia representava, chamei de dia seguinte. O dia seguinte, pois o que realmente importou foi o dia anterior...Não lembrava claramente de todos os fatos, mas o que estava na minha memória bastou.
Não posso falar que sorri ao relembrar, mas também não me ocorreu chorar, senti uma coisa diferente...não apenas pela ressaca que restara de lembrança da noite passada, mas também pelo momento que paralisou meu mundo, num instante a musicava que tocava parou na minha cabeça, vi a alma, pois o brilho estava nos olhos. E quando se vê um olhar verdadeiro, vê-se a alma junto.
Andei pelos corredores, rostos não muito estranhos jogados pelos sofás e camas, roupas espalhadas pelo chão e muitas garrafas vazias em todos os cantos da casa...Aos poucos o som de monôtonia foi se acabando, os barulhos foram tomando rumo, cada vez mais altos, mas não conseguia achar o que estava procurando, na verdade, nem eu sabia direito o que procurava, estava vendo se achava um "cheio" para me tirar daquele vazio do dia seguinte.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

E que se fosse a ultima no primeiro de cada mês e como desgosto oposto em sua voz.
Sorri, ludibria não a ponto de entontecer.


Do violão ao violino
Perdoa esse improviso.
Jardim botânico, te quero em pura carne.
Sinto as gotas e em sua face mal lavada me vejo.
E que mesmo com toda lama me leve para passear entre tuas curvas.


Os olhos ardem sem cansaço, e como samba me proteja

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Para tudo que se há, pode ter algum jeito de voltar.
Para tudo que se tem, há de certa forma desdém.
Para tudo que se vê, não é preciso estar lá para crê
Para tudo que se ama, algum dia se derrama.
Para tudo que se almeja, pode ter companhia de uma boa cerveja.
(...)
Para tudo que se é, é e ponto.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Te trago e por te trazer-prazer- te jogo fora.
Te trago e esfumaço, piso e deixo no asfalto.
Te trago e levo, te sugo, te pego.

Carnabalismo

O movimento do copo sendo levado
até a boca tua.
A gota que fica entre o lábio superior e seu irmão*,
o mesmo que faz você fechar e ficar muda.

Seus dedos ajeitando o óculos com ternura
e os olhos de um brilho irradiante
através apenas da lentes escuras,
pois no céu faz sol.

O colorido das buchechas as quais
se movimentam e enrugam
com um sorriso seu.

E por entre ele, estão os dentes
da arcada mais linda que eu já vi.
Que morde as extremidades do dedos
quando há algum motivo que ainda está por vir.

*lábio inferior

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

furo de tecido.

E que no pensamento fosse só o tormento daquele pequeno grande detalhe, como um pequeno furo feito pela agulha. O corte feito em um segundo, durou uma vida inteira...Era como uma fresta na porta da frente...Via tudo de longe, mas apesar disso a dor consumia, incomodava e fazia querer pensar no lado oposto das controversias, dos sentidos inventados por algo humano, muito parecido com a dor, mas o nome eu não achei ainda.
O sorriso sem precisão, sem certeza de encantamento...Afogou todas as lágrimas na toalha limpíssima e borrou com maquiagem.
E toda esperança que restava, foi varrida como poeira para debaixo do tapete imundo.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Por mais que não faça sentido.

Das lembranças; dos prazeres não oferecidos que roubei da minha mente ao recordar do passado e com segurança poder silênciar o que parecia uma vertigem. Um sussurro tranquilo que podia desprezar aquilo que percebi mas não pudera ser, estranhei por um momento e tive vontade de repetir; o cuidado me impediu.
Aquele momento me pareceu familiar mas com uma força que eu nunca tivera conhecido daquela forma, senti avançar a ultima claridade que restava do dia e desviei o olhar, me senti observada por uma espécie de solidão e calei o silêncio com o som das cores que eu não podia ver no escuro.